Operação policial termina em morte e revolta da população na Serra

Equipe da DCCV do município foi a Central Carapina cumprir um mandado de prisão. Ao ver os policiais, um indivíduo teria apontado uma arma para eles, mas foi baleado e morreu no local


Um rapaz foi morto durante uma operação da Polícia Civil, na tarde desta terça-feira (20), no bairro Central Carapina, na Serra. Deuzimar Cunha Bento Neves, de 18 anos, teria apontado uma arma para policiais da Delegacia de Crimes Contra a Vida (DCCV) da Serra. Um dos policiais revidou e atirou contra Deuzimar, que morreu no local.
De acordo com a polícia, a equipe da DCCV, sob comando do delegado Rodrigo Sandi Mori, foi até a rua Ceará, para cumprir um mandado de prisão. Ao chegarem à residência indicada, os policiais se depararam com um homem, que estava saindo da casa. 
Em seguida, o indivíduo teria apontado uma arma para os policiais. Um deles, no entanto, foi mais rápido e atirou em Deuzimar antes dele efetuar algum disparo. A morte do rapaz revoltou moradores da região, que alegavam que ele era inocente. A mãe de Deuzimar também esteve no local e se desesperou ao saber da morte do filho.
Segundo Sandi Mori, o suspeito, que era conhecido no bairro como "Sebinho", já tem passagens pela polícia por tráfico de drogas e era investigado por envolvimento em homicídios. Ainda segundo a polícia, Deuzimar faz parte da chamada "Gangue da Vala", a mesma de Paulo Sérgio de Oliveira Júnior, de 25 anos. Ele era o alvo da operação desta terça-feira, mas conseguiu fugir.
Durante a operação, a polícia apreendeu duas armas: uma pistola ponto 40, que, segundo a Polícia Civil, estava na mão de Deuzimar, e uma pistola 9 milímetros, que Paulo Sérgio teria deixado cair durante a fuga.
"A operação de hoje [terça-feira] foi com o objetivo de cumprir a prisão do nosso alvo principal, que era o Paulo Sérgio. Fomos com sete policiais nesta operação e montamos um cerco tanto pela frente como por trás da residência. Na hora que entramos três indivíduos estavam armados, inclusive o alvo. Um deles - que estava na frente - sacou a arma, apontou e eles repeliram. Um morreu. O alvo correu e deixou cair uma arma de fogo. O que correu deixou cair uma arma de 9 milímetros com carregador alongado, arma considerada de alto poder destrutivo", ressaltou Sandi Mori.
Após a morte de Deuzimar, moradores da região se revoltaram contra os policiais e passaram a atacá-los com pedras. Duas viaturas foram atingidas, uma delas um veículo descaracterizado da DCCV da Serra. Uma equipe da Divisão de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP) foi acionada e, segundo a polícia, também foi recebida a pedradas por moradores.
Por causa da confusão, policiais militares do 6º Batalhão e da força tática da PM, além de homens do Grupo de Operações Táticas (GOT) da Polícia Civil, foram ao local prestar apoio. Os policiais atuaram tanto na Rua Ceará quanto na Avenida Brasil, a principal do bairro. Balas de borracha e bombas de gás precisaram ser usadas para conter moradores mais exaltados.
"Após a ocorrência, a população se revoltou e jogaram pedras nas nossas viaturas. Duas foram atingidas, quebraram os vidros da viatura e, com o reforço da Polícia Militar, foi sanado qualquer tipo de agressão que estava ocorrendo", frisou Sandi Mori. 
Protesto
Revoltados com a ação da polícia, moradores de Central Carapina também tentaram interditar a BR-101 durante a tarde. Vários manifestantes fizeram barricadas na entrada do bairro, deixando o trânsito bastante congestionado. Policiais foram deslocados para a entrada de Central Carapina para auxiliar na segurança da população e na fluidez do trânsito.
Também por causa dos confrontos, escolas suspenderam as aulas no período da tarde e as atividades só devem ser retomadas na quarta-feira (21). Os coletivos também precisaram mudar o itinerário. A linha 819, que é uma das que atendem ao bairro, não estava passando na região por conta da falta de segurança, tendo o trajeto alterado para a BR-101.
Fonte: Folha Vitória

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